Não conseguindo, procura insistentemente pintores, escultores, visita galerias de artes, contacta professores, pesquisa livros, em busca de descobrir coisas, motivos, razões, que ele próprio desconhece. Esse período foi de extrema valia para a formação do artista, porque a partir daí, suas telas começaram, aos olhos dos outros, mostrar vida, sentimento e movimento, caracterizando a partir daí o verdadeiro talento desse artista chamado Marco Martins. Não para! São várias telas, vários temas e técnicas que vão se desenvolvendo ao longo dos anos. Longos períodos sem nenhuma tela. É preciso inspiração, dizia ele. Surge uma nova tela, um novo período cheio de inspiração, descoberta de novas técnicas e temas. Outro período sem nenhuma tela...”É preciso inspiração”, dizia ele. O período do adolescente se desenrola e o dinheiro aparece com o significado bem característico de um jovem a caminho da maturidade. Um elogio aqui, uma crítica ali, a venda de um quadro, a dificuldade em se vender um quadro. De toda essa trajetória, amadurece um processo e define um caminho, e nesse caminho encontra Jacy, um pintor com certa idade, mas extremamente respeitado por Marco Martins, com o qual identifica-se e, por intermédio dessa identificação e desse curto período de convívio, encontra o que buscou durante essa trajetória: Técnica e temas que o levou a se sentir muito compensado. A partir daí, nunca mais houve período em que não quisesse pintar, embora por necessidade, em certos períodos teve que lançar mão, devido a outros compromissos. De adolescente à jovem, extremamente inspirado, sua inspiração, num processo crescente, se avoluma intensamente em 1979 quando conhece Donaide, com a qual se casa em 1982. Grande incentivadora de seus trabalhos lhe oferece duas grandes inspirações: em 1984, um filho homem chamado Felipe; e em 1987 uma filha chamada Rafaela. Já a partir do primeiro filho, suas telas foram sempre pintadas quando o tempo lhe permitia. Cresciam em harmonia, em luz e em vida. A necessidade de pintar era tão intensa que o pouco tempo disponível se transformava em martírio: “Preciso ter mais tempo para pintar!” dizia ele. Em 1986 decide-se: “Vou viver de minha arte e para a arte! Pois só consigo me realizar pintando.” Passa a expor suas telas em lugares onde a concentração de artistas promovia exposições. Conhece marchands altamente respeitados e com os quais se relacionou, dando origem à colocação de suas obras em leilões e exposições, num crescente e verdadeiro reconhecimento do talento do artista Marco Martins. Algumas pessoas são suspeitas ao elogiar o trabalho de um artista por afinidade, amizade e carinho, mas muito me honra em ser o autor de sua biografia: sou seu irmão e maior crítico. Manoel de Oliveira Martins, setembro de 1987. |